4.4.08

QUASE SUSSURROS

A vida vem de longe
E é interminável a noite.

Com este pensamento,
Segura e resoluta, sento-me diante de um espelho.
Não. Não me sento diante de um espelho.
No entanto, diante de mim
Trago agarradas às mãos
Algumas folhas de papel surradas,
Uma caneta quase sem tinta e uma consciência pesada...

Minha alma vive construindo pontes entre abismos
Buscando sempre e sempre e tanto
O outro porto. Pés no chão. Pena em punho.
Tenta convencer-se (em vão?)
De que sentar-nos à beira das horas, vendo passar
As carruagens temerárias

(que nos surpreendem, tanta vez, quando notamos que somos
com elas, de carona.)

Não passa de brincadeira de criança.
Que a vida é fardo tênue demais
Para quem traz os pés e as mãos e o corpo
Deitados por sobre nuvens do sem-tempo.
Para quem cem anos não são mais que cem dias
Para aqueles que trazem como parte de sua bagagem extensa e imponderável e breve,
Exércitos invisíveis mas tão profundamente reais
Que reagem ao menor sinal,
Ao mais insignificante chamamento.

E creio que possuem cheiro de sol nascendo...

3 comentários:

Mario Ferrari disse...

Que delícia você voltando!

"Exércitos invisíveis mas tão profundamente reais

Que reagem ao menor sinal,

Ao mais insignificante chamamento.

E creio que possuem cheiro de sol nascendo..."

Somos feitos de mais que "UM",
Somos parte do chamado
E somos chama que acende o sol de manhã.
Lindo poema!
Um grande beijo!

Carolina Rocha disse...

Perdoe-me a invasao no seu blog... Sou amiga do Mario Ferrari e vi um link do 'Borboletra' no 'Coraçao Zagreu'. Adorei suas poesias.
Parabens.
Um beijo.

Vanessa Marques disse...

Olá Carolina.

Sinta-se sempre em casa.
É um prazer tê-la aqui...

Paz